sábado, agosto 02, 2008

Os Tipos de Yôga

Os Tipos de Yôga
Texto do livro Yôga a sério

Quais são os tipos de Yôga?
Se por tipos entendermos as linhagens, existem quatro: o Yôga Pré-Clássico (que é o nosso), o Clássico, o Medieval e o Contemporâneo. Eles são completamente diferentes entre si.
Se por tipos entendermos os ramos, então são 108 reconhecidos e mais algumas centenas de ramos apócrifos.
Estas são algumas modalidades de Yôga. Como você pode constatar, não têm nada a ver com a Educação Física:

RÁJA YÔGA, O YÔGA MENTAL
Possui um número maior de técnicas mentais do que outras modalidades de Yôga.

Rája significa real (dos reis). Consiste em quatro partes ou angas: pratyáhára (abstração dos sentidos), dháraná (concentração mental), dhyána (meditação) e samádhi (hiperconsciência). Posteriormente, em torno do terceiro século antes de Cristo, a estas quatro técnicas, foi acrescentada uma introdução constituída por outras quatro (yama, niyama, ásana, pránáyáma) com o que codificou-se o Ashtánga Yôga, ou Yôga Clássico. Veja, mais adiante, a explanação sobre o Yôga Clássico.

BHAKTI YÔGA, O YÔGA DEVOCIONAL
A tônica é a devoção. Utiliza mais mantra e pújá que as outras modalidades de Yôga.

Bhakti significa devoção. O Yôga devocional não é forçosamente espiritualista. Em suas origens pré-clássicas, sua fundamentação era naturalista e na região em que floresceu não foram encontradas evidências da existência de religiões institucionalizadas. Consiste em cultuar as forças da Natureza, o Sol, a Lua, as Árvores, os Rios, etc.

KARMA YÔGA, O YÔGA DA AÇÃO
Ensina como agir na vida e no mundo para estar de acordo com a lei do karma.

Karma significa ação. É um Yôga que induz à ação. Sua vertente medieval passou a ter conotações da filosofia Vêdánta, o que lhe conferiu um ar de “ação desinteressada”, quando na verdade a proposta é impelir à ação, ao trabalho, à realização. Por certo, tal dinâmica em princípio não visa a benefícios pessoais, recompensas ou reconhecimento.

JÑÁNA YÔGA, O YÔGA DO AUTOCONHECIMENTO
Dá mais ênfase à busca do autoconhecimento pela via da meditação.

Jñána significa conhecimento. O método dessa modalidade consiste em meditar na resposta que o seu psiquismo elaborar para a pergunta “quem sou eu?”, até que não haja mais nenhum elemento que possa ser separado do Self e analisado. Nesse ponto, o praticante terá encontrado a Mônada, ou o Ser.

LAYA YÔGA, O YÔGA DAS PARANORMALIDADES
Desenvolve os poderes paranormais através de técnicas corporais, respiratórios, mantras, etc.

Laya significa dissolução. A intenção neste tipo de Yôga é dissolver a personalidade, ou seja eliminar a barreira que existe entre o ego e o Self. Como o Self ou Mônada é o próprio Absoluto que habita em cada ser vivente, ao ser dissolvida a barreira da personam, todo o seu poder e sabedoria fluem diretamente para a consciência do praticante.

MANTRA YÔGA, O YÔGA DO DOMíNIO DO SOM E DO ULTRA-SOM
Como já diz seu nome, a ênfase é dada aos mantras.

Mantra significa vocalização. Trata-se de um ramo de Yôga que pretende alcançar a meta através da ressonância transmitida aos centros de energia do próprio corpo, conduzindo-os a um pleno despertar. Como conseqüência, a consciência aumenta e o praticante atinge o samádhi.

TANTRA YÔGA, O YÔGA DA SENSORIALIDADE
Utiliza a sexualidade como alavanca para a evolução interior.

Tantra significa, entre outras coisas, a maneira correta de fazer qualquer coisa, autoridade, prosperidade, riqueza; encordoamento (de um instrumento musical). É a via do aprimoramento e evolução interior através do prazer. Ensina como relacionar-se consigo mesmo, com os outros seres humanos, família, superiores ou inferiores hierárquicos, animais, plantas, meio ambiente, tudo enfim. Também trata de tudo o que se refira à sensorialidade e à sexualidade. Pretende atingir a meta mediante o reforço e canalização da libido.

SWÁSTHYA YÔGA, O YÔGA ANTIGO, DE RAÍZES PRÉ-CLÁSSICAS
Trata-se do próprio tronco do Yôga Pré-Clássico, do qual nasceram todos os outros. Por isso, é o Yôga mais completo do mundo.

Swásthya significa auto-suficiência, saúde, bem-estar, conforto, satisfação. É baseado em raízes muito antigas (Tantra-Sámkhya) e por isso é tão completo, pois possui o gérmen do que, séculos mais tarde, deu origem aos oito ramos mais antigos (Ásana Yôga, Rája Yôga, Bhakti Yôga, Karma Yôga, Jñána Yôga, Laya Yôga, Mantra Yôga e Tantra Yôga). Sua prática consiste em oito feixes de técnicas, a saber: mudrá (linguagem gestual), pújá (sintonização com o arquétipo), mantra (vocalização de sons e ultra-sons), pránáyáma (respiratórios), kriyá (purificação das mucosas), ásana (técnica orgânica), yôganidrá (técnica de descontração) e samyama (concentração, meditação e outras técnicas mais profundas).

SUDDHA RÁJA YÔGA, UMA VARIEDADE DE RÁJA YÔGA MEDIEVAL, PESADAMENTE MÍSTICO
É uma vertente do Rája Yôga, que inclui mantras e rituais.

Suddha significa puro. Dá a entender que pretende ser a versão mais pura do Rája Yôga, o que não é verdade, já que o Rája Yôga era de fundamentação Sámkhya e o Suddha Rája é fundamentado pelo ponto de vista oposto, o Vêdánta. Consiste em mantras e meditação.

KUNDALINÍ YÔGA, O YÔGA DO PODER
É o ramo especializado no despertamento das energias latentes no sistema nervoso central.

Kundaliní significa aquela que tem a aparência de uma serpente. É um tipo de Yôga que visa ao despertamento da energia que leva o seu nome (kundaliní). Essa energia está situada no períneo e tem relação direta com a sexualidade. Seu despertamento e ascensão pela medula espinhal até o cérebro produz uma constelação de paranormalidades, culminando num estado expandido da consciência denominado samádhi, que é a meta do Yôga. Na verdade, não apenas esta modalidade, mas todos os tipos autênticos de Yôga trabalham o despertamento da kundaliní, conforme nos diz o Dr. Sivánanda em seu livro Kundaliní Yôga, página 70, do Editorial Kier.

SIDDHA YÔGA, O YÔGA DO CULTO À PERSONALIDADE DO GURU
De origens tântricas, usa muita meditação e mantras.

Siddha significa o perfeito, ou aquele que possui os siddhis (poderes paranormais). Pelo nome, dá a entender que tem parentesco com o Kundaliní Yôga, mas com o qual manifesta pouca similaridade. Pratica-se muito mantra, pújá e meditação, mas a base é mesmo a reverência à personalidade do guru.

KRIYÁ YÔGA, O YÔGA QUE CONSISTE EM AUTO-SUPERAÇÃO, AUTO-ESTUDO E AUTO-ENTREGA
O verdadeiro Kriyá Yôga consiste em três subdivisões do anga niyama, que são normas éticas.

Kriyá significa atividade. Trata-se de um Yôga muito difundido nos Estados Unidos na década de 50 e que hoje mantém ricas instalações. Consiste em três niyamas (normas éticas): tapas (auto-superação), swadhyáya (auto-estudo) e íshwara pranidhana (auto-entrega). É citado no Yôga Sútra, livro do século III a.C. Há poucas entidades que o representam no Brasil, sendo a Bahia seu principal reduto. A maioria o estuda por livros. O melhor livro é o Tantra Yôga, Náda Yôga e Kriyá Yôga, de Sivánanda, Editorial Kier, Buenos Aires. Essa é a única obra que ensina abertamente o Kriyá Yôga, sem fazer mistério.

YÔGA INTEGRAL, O YÔGA DE INTEGRAÇÃO NAS ATIVIDADES DO DIA-A-DIA
Trata-se de uma modalidade contemporânea, que propõe a incorporação da filosofia do Yôga à vida cotidiana.

É chamado Yôga Integral não por ser mais integral que os outros, como o nome pode sugerir por associações com os alimentos integrais. Denomina-se assim porque sua proposta é integrar-se na vida profissional, cultural e artística do praticante. Foi criado por Sri Aurobindo, que defendia o desejo de que “o Yôga cesse de parecer alguma coisa mística e anormal que não tenha relações com os processos comuns da energia terrena”.

YÔGA CLáSSICO, UM YÔGA ÁRIDO E DURO, COM RESTRIÇÕES SEXUAIS E OUTRAS
É um Yôga patriarcal e restritivo. Muita gente usa o rótulo de Yôga Clássico, mas ensina outra coisa qualquer.

O Yôga Clássico ou Ashtánga Yôga não é o Yôga mais antigo nem o mais completo, como se divulga. O mais antigo e completo é o Pré-Clássico. O Yôga Clássico tem um nome forte, mas sua prática é inviável para o homem moderno devido à lentidão com que seus passos são trilhados. A prática é tão restritiva e árida que ninguém pagaria para receber esse tipo de aprendizado. Por isso, o que se vê no Ocidente são escolas que exploram o célebre nome desse ramo, mas na prática ensinam Hatha Yôga. O Yôga Clássico é constituído por oito partes ou angas que são: yama, niyama, ásana, pránáyáma, pratyáhára, dháraná, dhyána, samádhi. No Brasil, o melhor livro é o Yôga Sútra de Pátañjali, publicado pela Uni-Yôga.

ASHTÁNGA YÔGA, O MESMO QUE YÔGA CLÁSSICO
No entanto, o que se encontra nos Estados Unidos é simplesmente um nome de fantasia para o Hatha Yôga da linha do Professor Iyengar, levemente modificado.

HATHA YÔGA, O YÔGA FÍSICO
Modalidade que consiste em técnicas corporais, respiratórios e relaxamento.

Hatha significa força, violência, rapina e não o poético “Sol-Lua”, como declaram alguns livros. Trata-se de uma vertente medieval, fundada no século XI da era Cristã, portanto, é considerado um Yôga moderno, surgido mais de 4.000 anos depois da origem do Yôga primitivo! É constituído pelos quatro angas iniciais do Ashtánga Yôga (yama, niyama, ásana, pránáyáma), contudo, nas academias os dois primeiros angas não são ensinados, ficando na prática restrito apenas a ásana (técnicas corporais) e pránáyáma (respiratórios). Outras técnicas podem ser agregadas, tais como bandhas, mudrás e kriyás, mas não forçosamente. A meditação não faz parte e não deve ser incluída numa prática de Hatha. Já foi o Yôga mais popular no Ocidente. No Brasil, hoje está sobejamente suplantado pelo Swásthya Yôga (o Yôga Antigo).

IYENGAR YÔGA, UMA VARIEDADE DE HATHA YÔGA
O nome é inadequado. Iyengar é o nome de um professor de Hatha Yôga.

B. K. S. Iyengar é o nome de um professor de Hatha Yôga. Não é correto nem ético chamar seu método de Hatha pelo nome do professor. Seria o mesmo que denominar Sérgio Yôga ou Carlos Yôga ao método utilizado por esses Mestres. Trata-se de uma interpretação extremamente vigorosa do Hatha Yôga. O método é descrito no livro Light on Yôga. A tradução castelhana denomina-se Yôga cien por cien. Foi cometida uma edição em português, tão resumida que não faz justiça ao mérito da obra.

POWER YÔGA, UMA VARIEDADE DE IYENGAR YÔGA
É apenas outro rótulo para o Hatha Yôga.

Power Yôga é um método muito falado, mas pouco praticado no Brasil. Por exemplo, até hoje [texto escrito no ano de 2.001] nenhum professor dessa modalidade publicou livro algum no nosso país. Trata-se de uma marca de fantasia para um tipo de Hatha Yôga simplificado, praticado nos Estados Unidos, o que fica patente pelo próprio caráter híbrido do nome inglês-sânscrito.

Texto extraído do livro Yôga a Sério, autor: DeRose
www.casadoyoga.com.br

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Imagem: Google

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