Crescimento no uso de remédios naturais


Matéria de 2006 continua atual
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Pesquisador da Universidade de Genebra vê crescimento no uso de remédios naturais, mas alerta para exageros

Simone Iwasso

Enquanto a fitomedicina cresce no mundo, embasada por descobertas e pelo interesse da população por medicamentos com menos efeitos colaterais, aumentam também as intoxicações provocadas pelo seu uso incorreto. Quem faz o alerta é o pesquisador suíço Kurt Hostettmann, professor da Universidade de Lausanne e diretor do Instituto de Farmacologia e Fitoquímica, na Suíça.

Considerado um dos principais nomes da área, autor de publicações científicas e quatro livros sobre o assunto, ele é um dos entusiastas do potencial das plantas na prevenção e tratamento de uma série de doenças, mas afirma que as plantas podem ser tóxicas e não devem ser ingeridas sem orientação. Hostettmann está no Brasil para participar do 3º Congresso Brasileiro de Fitomedicina.

A fitomedicina cresce em todo o mundo - no Brasil, 15% a 20% por ano. O que podemos esperar?

Os grandes laboratórios farmacêuticos passam a investir mais em pesquisas nessa área. Existe uma tendência de as pessoas se voltarem para produtos naturais em todas as áreas. E isso também ocorre com os medicamentos, principalmente pelo fato de os fitoterápicos apresentarem um número reduzido de efeitos colaterais. Mas é preciso fazer um alerta. Atualmente, na Europa, vivemos o aumento a cada ano do número de intoxicações por plantas. Estamos registrando cada vez mais acidentes. Plantas podem ser tóxicas e fazer mal também. Todo mundo pensa que, como é natural, não pode fazer mal, um grande engano.

Falta informação sobre o que esses medicamentos podem fazer?

Devemos sempre lembrar que fitomedicamentos devem sempre responder a três critérios: segurança, qualidade e eficácia. Mas não podemos pensar em uma competição entre fitomedicamentos e os remédios químicos, com substâncias sintetizadas em laboratório. Um não deve substituir o outro. Deve haver uma complementação. Os fitoterápicos podem ser muito benéficos para tratar uma série de problemas, como depressões leves, insônia, ansiedade, reumatismo. Nesses casos, podem evitar o excesso de medicamentos químicos. Mas não é o caso de um câncer. E muita gente deixa de lado o remédio receitado por um médico para tomar ervas de que ouviram falar.

O que está sendo pesquisado ?

Um exemplo são os remédios à base de soja para prevenir e aliviar problemas da menopausa em substituição à reposição hormonal. Já existem vários no mercado. Agora, pesquisa-se o uso da soja no combate à osteoporose. Os resultados preliminares são muito interessantes. Na Europa, foi lançado o primeiro fitoterápico para rinite, que deve chegar em breve ao Brasil. O ginkgo biloba, que é muito popular entre vocês pelos efeitos contra distúrbios de memória e concentração, também continua sendo estudado. Acreditamos que alguns de seus compostos podem ser muito úteis no tratamento de Alzheimer. Esse é o nosso atual foco de pesquisa. Também trabalha-se com a raiz de uma planta africana que mostrou ter capacidades antifúngica. É usada pelos índios americanos e tem propriedades contra infecções.

Os cientistas também estão mais interessados no potencial dos remédios naturais?

Apenas 10% de todas as espécies de plantas que sabemos que existem no planeta têm suas propriedades conhecidas quimicamente e farmacologicamente. Então, o potencial que temos ainda é enorme. E, em uma planta, encontramos 10, 15 substâncias diferentes, que podem atuar em várias partes do organismo. Muitas pessoas acreditam que as grandes descobertas a partir de agora virão da biotecnologia e da genética, mas eu acredito que existe um grande potencial, que ainda está sendo explorado, na área das plantas medicinais.

Kurt Hostettmann: Diretor do Instituto de Farmacologia e Fitoquímica, na Suíça

Data Edição: 28/04/06
Fonte: Estado de São Paulo
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imagem: google

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